Todos bárbaros

je-suis-charlie

Essa semana não se fala em outra coisa senão o ataque em Paris. Homens abriram fogo contra o humor. Isso realmente é chocante. Mas o que me choca muito mais são vozes de pessoas esclarecidas dizendo que o fato do humor da revista atacar religiões e extremamente desrespeitoso de alguma forma justifica o que o ocorreu.

Não consigo entender esse raciocínio pelo simples fato de que nada, nada justifica a barbárie.

E não me entendam mal, vi as charges, achei idiotas e de mal gosto. Não gosto de humor daquele tipo e sim,  acho que respeito é bom e conserva os dentes. Mas isso não justifica, e nem explica, pessoas pegando em armas contra piadas de mal gosto. Mesmo que de extremo mal gosto. É só uma ideia, idiota ou não. Matar por uma opinião divergente não faz sentido, e não devemos dar sentido para isso nunca.

Me assusta ver pessoas que vivem em uma situação relativamente boa, com conforto, boa educação, achando que bem, os humoristas não deviam fazer tal piada, sabiam com quem estavam mexendo. Não, não deviam. E essas pessoas só falam isso porque tinha charges contra a sua própria visão religiosa, então eles não eram tão bonzinhos assim. E por isso mereceram morrer? Mesmo?

Se alguém se sentiu pessoalmente ofendido que processasse, iniciasse uma campanha contra, a liberdade de expressão serve para todos. Mas matar, matar não. Porque hoje isso justifica a morte de um redator de uma revista que você não gosta, mas amanhã pode ser por uma ideia que você defenda. Lembremos que houve época em que cristãos eram mortos por serem cristão. E aí, podem te matar por isso?

E tem mais, Deus é Deus, pra quem acredita ele é sim a última bolacha do pacote. Pode conviver com um idiota com piadas medíocres muito bem, obrigado.

charlie

2015

Sim, verdade, as palavras não vieram. A verdade é que nos últimos anos tenho analisado demais – em excesso, talvez – essa necessidade de escrever. Não sei o porque, nem pra quem, e nem se deveria realmente. Mas talvez o problema seja exatamente esse: pensar demais.

E depois vieram dias não tão bons, e muita confusão. Registrei muita coisa em fotos, mas pouco em palavras, talvez porque tudo estivesse tão bagunçado.

E isso resume 2014 pra mim, senhor, que bagunça. Em todas as áreas.

Mas não tem como não me animar com começos de ano. Adoro. 365 dias em branco, prontinhos para se desenrolarem na frente dos meus olhos. Então vou tentar não pirar tanto, diminuir a pressão e deixar as coisas fluírem. A vida, as palavras, tudo.

Resolução número 1 de ano novo: ESCREVER. Em progresso.

Até mais!